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Videogame e TV... Socorro!
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber

 

Nesta semana eu estava conversando com um amigo e ele me perguntou: "O que você acha sobre essa história de videogames violentos serem prejudiciais para crianças?" Como foi uma pergunta técnica eu aproveitei e desfilei as razões que a Psicologia apresentava contra videogames violentos. Depois de toda minha explicação ele me disse com ar de dúvida: "Mas será mesmo? Acho que não... eu deixaria meu filho (ele ainda não tem filhos) jogar!" É impressionante como as pessoas têm resistência a modificar seu pensamento mesmo com argumentos da Psicologia, talvez por esta tratar essencialmente do conhecimento de coisas subjetivas (pensamentos, emoções, comportamento...). Se um especialista em informática diz o que deve ser feito para melhorar a performance do nosso computador, não argumentamos com ele! Mas, de Psicologia, todo mundo acha que pode falar e que o conhecimento do senso-comum pode ser suficiente para resolver determinado problema.

 

Pois bem, a ciência psicológica vem estudando a influência da TV, filmes e videogames (esses mais recentemente) há pelo menos 30 anos e os números das pesquisas são à prova de dúvidas: os dados mostram que à exposição à violência na TV e nos filmes (e videogames) aumenta a probabilidade de comportamento anti-social e agressivo. A professora Paula Gomide da UFPR, realizou um estudo original sobre filmes com mais de 500 adolescentes e registrou seus comportamentos em um jogo de futebol. Os resultados mostram que houve um aumento do comportamento agressivo após assistirem um filme violento, especialmente com adolescentes do sexo masculino.

 

A violência exibida em videogames atuais (Mortal Kombat, Carmageddon, este foi proibido pelo Ministério da Justiça!) é inacreditável: o jogador faz pontos se atropelar velhinhas e crianças; o vencedor pode terminar com seu oponente decapitando-o ou arrancando seu coração do tórax... é sangue para todos os lados! Estudos americanos recentes revelam que jogar videogames violentos leva a um comportamento agressivo aumentado em brincadeiras livres subseqüentes; em adolescentes a agressividade, a hostilidade e a ansiedade são respostas comuns para jogadores sistemáticos.

 

Não adianta argumentar que na literatura e no teatro também existe agressão. Ninguém nega que existe violência em histórias de Shakespeare, em contos-de-fada dos Irmãos Grimm, em fábulas e lendas e até em histórias bíblicas. No entanto, a era tecnológica trouxe o impacto visual e a possibilidade de alcançar milhões de pessoas ao mesmo tempo e, pela massificação do conteúdo, leva à banalização do comportamento agressivo e a dessensibilização do indivíduo em relação à violência.

 

... OS EFEITOS

- A origem da agressividade está, geralmente, na sociedade e na família, mas a violência dos jogos e da TV pode servir para direcioná-la;

 

- A agressão das telas banaliza a violência: as pessoas acostumam-se com ela e passam a encará-la de uma maneira natural, tendo como conseqüência pessoas menos sensíveis à situações que deveriam causar constrangimento e indignação;

 

- Ser menos sensível à violência através de jogos pode fazer com que crianças tenham prazer em ver e/ou fazer atos cruéis;

- Videogames e TV leva a um comportamento passivo: o espectador somente recebe imagens prontas (TV) ou reage com comportamentos repetitivos (videogame) onde não precisa pensar;

- Jogar videogame leva à excitação e, como a pontuação vem através de reforçamento intermitente, leva ao vício, ou seja, parar é muito difícil.

 

... O QUÊ FAZER

- Oferecer outras alternativas de divertimento;

 

- Verificar o conteúdo de videogames e simplesmente não comprar os absurdamente violentos;

 

- Estabeleça limites sobre o tempo e sobre o que a criança deve ver na TV;

 

- Procure assistir alguns programas com as crianças e conversar com eles sobre o conteúdo;

 

- Converse com a criança sobre os programas; mesmo desenhos animados contém cenas muito violentas onde nunca é mostrada a conseqüência real da violência. Explique que a violência não é uma diversão e que machuca as pessoas. Uma pesquisa recente da ONU sobre os cartoons, revela que aparecem , em média, 20 crimes por hora de desenho (em primeiro lugar vem a lesão corporal e, em segundo, o homicídio).

 

 

Universidade Federal do Paraná

Departamento de Psicologia - Profª Drª Lidia Natalia Dobrianskyj Weber

Praça Santos Andrade, 50 - 1º andar

Fone: (41) 310-2669 Fax: (41) 310-2625 - 80060-000 Curitiba-PR

 

 

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