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A FICÇÃO E A REALIDADE DE CRIANÇAS INSTITUCIONALIZADAS: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
A preocupação relativa aos efeitos prejudiciais da institucionalização no desenvolvimento e na saúde de um indivíduo é relativamente recente. As críticas ao sistema institucional como despersonalizante datam do início do século nos Estados Unidos e na Europa e afirmam que "o abandono e as falhas dos cuidados prestados a crianças como determinantes de uma gama de distúrbios que poderiam manifestar-se na vida adulta sob a forma de perturbações menos graves nas relações afetivas de um indivíduo até os casos extremos de manifestações psicóticas" (Rizzini, 1985, p. 22). Mas, apenas na década de 70, um movimento de "desinstitucionalização" avolumou-se, condenando a prática de internamento e enfatizando a necessidade de inserção da criança numa família e numa comunidade.
A base de todos estes prejuízos é a impossibilidade de se formar e manter vínculos afetivos numa instituição total, pois estes são um referencial primordial na elaboração da concepção de si e do mundo. É a vinculação afetiva, inclusive, que propicia as estimulações sensorial, social e afetiva fundamentais para que o indivíduo adquira amplas condições de aprendizagem em todas estas áreas. "Parece claro que a infância conturbada e privada de laços afetivos fortes traz conseqüências futuras para o repertório comportamental dos indivíduos, inclusive para sua auto-estima, que pode definir sua forma de relacionamento com o outro e com o mundo em geral" (Weber & Kossobudzki, 1996).
Essa impossibilidade de se formar e manter vínculos afetivos numa instituição de internamento é determinada por vários fatores: o elevado número de crianças por instituição; o tratamento massificado e despersonalizante, no qual todas as crianças e adolescentes devem fazer as mesmas coisas ao mesmo tempo e nada podem possuir; a rotatividade dos funcionários; as transferências dos internos para outras instituições; o desligamento da criança de sua família e comunidade, entre outros.
Pesquisas (Weber, 1995, 1996, 1998 e 1999; Weber e Kossobudzki,) revelam que a maioria dessas crianças chega às instituições através de suas próprias famílias, geralmente monoparentais (nas quais só a mãe está presente) e desfavorecidas economicamente. A maioria, a partir do momento em que chega às instituições, não recebe mais visitas de sua família e passa a fazer parte de um contingente especial da população: os filhos de ninguém. As famílias, que a princípio pensam em utilizar a instituição como um colégio interno, desaparecem. As famílias, no entanto, continuam detentoras do pátrio poder e, as crianças nem sequer têm o direito de serem colocadas em uma família substituta. Por que as crianças crescem nesses abrigos? Ninguém duvida que é uma violência a destituição do pátrio poder, mas não é uma violência uma criança crescer sem referência familiar? Em trabalhos de pesquisa junto à essas instituições verificamos que, às vezes, não existem sequer documentos sobre a criança, quanto mais dados específicos sobre a sua história de vida. O discurso dos internos revela total desconhecimento de sua situação legal, pessoal, familiar e, conseqüentemente, tecem fantasias sobre suas perspectivas futuras.
Com base em diversas pesquisas que realizamos com crianças institucionalizas, percebemos que existe uma grande negligência em relação à preparação de crianças institucionalizadas, seja para a reintegração com a família de origem, para a colocação em família substituta através da adoção ou em casas-lares, ou simplesmente para conhecer, compreender e elaborar a sua história de vida. Consideramos essencial que a criança, como um sujeito de direitos, tenha acesso ao que existe de mais básico ao ser humano: a sua própria história e à sua realidade atual. Desta forma, entendemos que um projeto possa ser desenvolvido para tal intervenção, sendo que este projeto deve ter como base a multidisciplinaridade de ações:
Referências Bibliográficas
THE FICTION AND THE REALITY OF INSTITUTIONALIZED CHILDREN: A PROPOSAL OF INTERVENTION Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
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Universidade Federal do Paraná Departamento de Psicologia - Profª Drª Lidia Natalia Dobrianskyj Weber Praça Santos Andrade, 50 - 1º andar Fone: (41) 310-2669 Fax: (41) 310-2625 - 80060-000 Curitiba-PR
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